Imunidade Vencida: UFSC Afasta Professor Após Onda de Denúncias de Assédio e Misoginia
Atualizado em 15/04/2026 às 18:55
"Protestos e prints vazados encerram uma década de silêncio institucional no campus Trindade. (Fonte: Reprodução / Diário Nexus)"
Docente é investigado por histórico de abusos que remontam a 2014 e por comentários que revitimizam a estudante Catarina Kasten. O Diário Nexus analisa a quebra da "proteção acadêmica" no campus Trindade.
Dez Anos de Alertas Ignorados
A decisão da Reitoria da UFSC de afastar o professor do CCE por 60 dias, sem remuneração, é a resposta a uma pressão estudantil que se tornou insustentável. Com dois Processos Administrativos Disciplinares (PADs) abertos, a universidade agora investiga um histórico de assédio sexual documentado em capturas de tela que circulam nos corredores desde 2015. A exposição pública de prints e cartazes foi o motor que venceu a inércia institucional.
O afastamento cautelar visa garantir a lisura das investigações e proteger as denunciantes. No entanto, o caso revela uma lacuna perigosa na segurança biopolítica da instituição: como um servidor conseguiu manter tal comportamento por mais de uma década sem ser contido? A investigação atual terá de responder não apenas sobre as ações do professor, mas sobre as omissões dos canais de controle internos da última década, conforme reportado pelo Portal ND+.
Leitura Nexus: O Fim da Imunidade de Cátedra
O Diário Nexus observa que o caso UFSC marca o esgotamento do modelo de "blindagem acadêmica". Quando um docente minimiza um feminicídio e é confrontado com seu próprio histórico de abusos, a universidade é forçada a escolher entre sua reputação e sua ética. Nossa análise aponta que 2026 será o ano da auditoria moral nas federais; o "notório saber" não servirá mais como escudo para a violação de direitos humanos dentro das salas de aula.