Forças Integradas deflagram operação nacional: ofensiva contra o crime organizado mobiliza 14 estados e 17 unidades especiais

W. Martins
Redator

Publicado em 08/07/2026 às 09:56

Forças Integradas deflagram operação nacional: ofensiva contra o crime organizado mobiliza 14 estados e 17 unidades especiais

Ilustração mostra o centro de comando das FICCOs com painel tecnológico e mapa digital do Brasil, destacando a coordenação simultânea das operações em 14 estados. (Fonte: Ilustração / Diário Nexus).

A Operação Força Integrada III marca uma das maiores ações coordenadas de segurança pública do país, reunindo 17 Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) em 14 estados. O objetivo é desarticular redes de tráfico, lavagem de dinheiro e homicídios ligados a facções com atuação interestadual.



A ofensiva que redesenha o combate ao crime

A operação mobilizou centenas de agentes federais e estaduais para cumprir 179 mandados de busca e apreensão e 93 de prisão. A ação simultânea reflete uma nova estratégia de integração entre forças policiais, que busca enfraquecer o poder econômico e territorial das organizações criminosas.

Entre os alvos estão grupos envolvidos em tráfico de drogas, armas e lavagem de capitais. A coordenação nacional da Polícia Federal permitiu que as investigações avançassem sobre conexões entre facções de diferentes estados, revelando uma estrutura de atuação cada vez mais sofisticada.

A ofensiva também representa um teste para o modelo de cooperação entre instituições, que vem sendo ampliado desde 2023 com a criação das FICCOs em todas as unidades da Federação.



Operações simultâneas e foco regional

Estado / Cidade Operação Mandados de Busca Mandados de Prisão Outras Medidas Foco da Investigação
Macapá/AP e Pará Zip Lock 2 0 Medidas cautelares Tráfico de drogas e organização criminosa
Rio Branco/AC Ruptura – 2ª fase 1 0 Medidas cautelares Organização criminosa e tráfico de drogas
Manaus/AM Torre 8 2 0 Medidas cautelares Tráfico de drogas e lavagem de dinheiro
CE, PE, PA, AM Conexão Amazônia 16 0 Sequestro de bens e bloqueio patrimonial Tráfico interestadual e lavagem de dinheiro
Goiânia/GO, MT, SP Blend 7 0 Medidas cautelares Distribuição de insumos químicos para adulteração de drogas
São Luís/MA Thálassa 2 2 Prisões preventivas Atuação de organização criminosa
Campo Grande/MS Mandamus 0 3 Prisões preventivas Tráfico de drogas e organização criminosa
Belo Horizonte/MG Borak 17 10 Retirada de câmeras irregulares Tráfico, homicídios e armas ilegais
Uberaba/MG e Uberlândia/MG Conexão 3 2 Medidas cautelares Organização criminosa ligada ao tráfico
Belém/PA Coalizão – COP VIII 32 32 Prisões preventivas Organização criminosa
João Pessoa/PB, MS e SP Consigliere 46 13 Bloqueio patrimonial Tráfico, lavagem de capitais e organização criminosa
Luís Correia/PI e Parnaíba/PI Contenção 3 8 Prisões temporárias Tráfico, homicídios e organização criminosa
Natal/RN Matriarca 7 5 Bloqueio e sequestro de bens Tráfico e lavagem de dinheiro
Mossoró/RN, Upanema/RN, Areia Branca/RN, Serra do Mel/RN Busting 19 0 Medidas cautelares Organização criminosa
Santos/SP Desatrela 10 7 Sequestro de bens e valores Roubo de cargas e caminhões
Campinas/SP e Paraná Argenti Lardum 10 10 Bloqueio e sequestro de bens Furtos, roubos e receptação de cargas
Ubaitaba/BA Rebojo 2 1 Busca de adolescente Organização criminosa

A amplitude das ações mostra que o crime organizado deixou de ser um fenômeno isolado e passou a operar em rede, exigindo resposta coordenada e simultânea.

Integração e inteligência como pilares

As FICCOs reúnem Polícia Federal, Polícias Civil, Militar e Penal, Polícia Rodoviária Federal, Guardas Municipais e a Secretaria Nacional de Políticas Penais. Essa integração permite cruzar dados, rastrear movimentações financeiras e identificar conexões entre facções.

O uso de tecnologia e inteligência tem sido decisivo para localizar líderes e operadores financeiros das organizações. A estratégia busca atingir o núcleo econômico das facções, reduzindo sua capacidade de financiar novas operações criminosas.

Segundo fontes da PF, o modelo integrado tem mostrado resultados expressivos na redução de áreas dominadas por grupos armados e na apreensão de bens de alto valor.



Leitura Nexus: o novo paradigma da segurança pública

A Operação Força Integrada III simboliza uma mudança de paradigma no combate ao crime organizado. O foco deixou de ser apenas a prisão de líderes e passou a incluir o desmantelamento financeiro e logístico das facções.

A integração entre forças estaduais e federais cria um modelo de resposta mais ágil e abrangente, capaz de atingir diferentes níveis da estrutura criminosa. Essa abordagem tende a se consolidar como política permanente de segurança pública.

O desafio agora é manter o ritmo das operações e garantir que os resultados se traduzam em estabilidade duradoura, especialmente nas regiões mais afetadas pela violência e pelo tráfico.

O que esperar das próximas fases

As investigações continuam e devem revelar novas conexões entre facções e empresas usadas para lavagem de dinheiro. A expectativa é que novas fases da operação sejam deflagradas ainda neste semestre.

Com o avanço das FICCOs, o Brasil consolida um modelo de cooperação policial que pode servir de referência para outros países da América Latina. A ofensiva mostra que o combate ao crime organizado exige união, inteligência e persistência.

Edição e Análise: Redação Diário Nexus

Fonte da Informação: Agência Gov

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