Tesouro Reserva: novo título público promete liquidez diária e aplicação mínima de R$ 1
Atualizado em 12/05/2026 às 11:18
Imagem representando o Tesouro Reserva, com smartphone exibindo rendimento diário, moedas e notas brasileiras sobre mesa de madeira e bandeira do Brasil ao fundo. (fonte: Ilustração / Diário Nexus).
Aposta do governo para atrair pequenos investidores e estimular a poupança, o Tesouro Reserva tem como alvo quem busca guardar dinheiro com segurança, liquidez e simplicidade, com aplicação mínima de R$ 1 e rendimento atrelado à taxa Selic.
O que é o Tesouro Reserva
O Tesouro Reserva é um título público federal. Na prática, quem investe está emprestando dinheiro ao governo em troca de remuneração, com rendimento atrelado à taxa Selic, hoje em 14,5% ao ano.
Com juros elevados, a tendência é que o novo título renda mais do que a poupança. A proposta é funcionar como uma opção simples para reserva de emergência, voltada a despesas inesperadas, como problemas de saúde, desemprego ou consertos.
Neste primeiro momento, o Tesouro Reserva estará disponível apenas para os cerca de 80 milhões de correntistas do Banco do Brasil. O Tesouro Nacional negocia a entrada de outras instituições financeiras na plataforma.
Como funciona na prática
O Tesouro Reserva tem rendimento diário e pode ser resgatado a qualquer momento, 24 horas por dia, inclusive fins de semana e feriados. A movimentação poderá ser feita também via Pix, aproximando o produto da experiência dos aplicativos bancários.
Diferentemente de outros títulos públicos, ele não terá “marcação a mercado”, mecanismo que faz o valor oscilar conforme as condições econômicas. O cálculo seguirá a “marcação na curva”, com juros contabilizados dia a dia, evitando quedas temporárias visíveis no extrato.
Nos títulos tradicionais, o preço varia com juros, inflação e risco, e quem resgata antes do vencimento pode ganhar mais ou menos do que imaginava. No Tesouro Reserva, a ideia é reduzir essa volatilidade percebida pelo pequeno investidor.
Rendimento e comparação com a poupança
Com a Selic em 14,5% ao ano, o Tesouro Reserva tende a superar com folga a rentabilidade da poupança, que hoje rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) quando os juros básicos estão acima de 8,5% ao ano.
Nos últimos 12 meses, a poupança rendeu 7,53%. Já simulações do Tesouro Nacional indicam que uma aplicação de R$ 1 mil no Tesouro Reserva poderia atingir valores superiores em diferentes prazos.
| Prazo | Valor estimado no Tesouro Reserva | Diferença em relação à poupança |
|---|---|---|
| 6 meses | R$ 1.051,23 | R$ 20,85 a mais |
| 1 ano | R$ 1.101,82 | R$ 40,14 a mais |
| 2 anos | R$ 1.207,12 | R$ 79,96 a mais |
Aplicação mínima e limites
Um dos diferenciais do Tesouro Reserva é o valor de entrada: a aplicação mínima será de R$ 1, bem abaixo de outros títulos públicos. O limite máximo será de R$ 500 mil por pessoa.
A estratégia do governo é atrair quem ainda não investe ou mantém dinheiro parado na conta corrente. A combinação de baixo valor inicial, simplicidade e liquidez busca aproximar o produto do público acostumado à poupança e às “caixinhas” digitais.
Negociação 24 horas e liquidez
O Tesouro Reserva será o primeiro título público brasileiro com negociação contínua. Aplicações e resgates poderão ser feitos 24 horas por dia, sete dias por semana, sem depender do horário tradicional do mercado financeiro.
Hoje, o Tesouro Direto opera apenas em horários específicos em dias úteis, e resgates levam de um a dois dias úteis para cair na conta. No Tesouro Reserva, a proposta é aproximar a experiência de liquidez imediata oferecida por bancos e fintechs.
Impostos, taxas e custos
O Tesouro Reserva terá cobrança de Imposto de Renda sobre os rendimentos, seguindo a tabela regressiva da renda fixa. O IR incide apenas sobre o lucro, não sobre o total aplicado.
| Prazo da aplicação | Alíquota de IR sobre rendimentos |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 dias a 2 anos | 17,5% |
| Acima de 2 anos | 15% |
Também haverá cobrança de IOF para resgates nos primeiros 30 dias, como nos demais títulos do Tesouro. Até R$ 10 mil investidos, não haverá taxa de custódia da B3; acima desse valor, será cobrada taxa de 0,20% ao ano.
Concorrência com poupança e outros produtos
Embora concorra diretamente com a poupança, o Tesouro Reserva tem diferenças importantes. A principal é a rentabilidade, que tende a ser maior em cenário de juros altos, além do rendimento diário, enquanto a poupança só rende na data de “aniversário” da aplicação.
O novo título também disputará espaço com CDBs, LCIs e LCAs oferecidos por bancos e corretoras. Em muitos casos, esses produtos privados podem pagar mais de 100% do CDI, mas costumam ter prazos de resgate maiores ou regras de liquidez mais rígidas.
Enquanto os produtos bancários contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), os títulos públicos têm garantia do próprio governo federal, o que é visto como o menor risco de crédito da economia.
Meta de popularização dos títulos públicos
O Tesouro Nacional quer ampliar de forma significativa o número de investidores pessoa física. Hoje, cerca de 3,4 milhões de pessoas investem em títulos públicos.
A meta é superar 10 milhões de aplicadores nos próximos anos, apoiado em três pilares: facilidade de acesso, baixo valor de entrada e possibilidade de movimentação instantânea. O Tesouro Reserva é a vitrine dessa estratégia.
Leitura Nexus: para quem o Tesouro Reserva faz sentido
O Tesouro Reserva nasce como um produto pensado para o pequeno investidor que quer sair da poupança, mas ainda não se sente confortável com oscilações de mercado. A combinação de rendimento atrelado à Selic, liquidez diária e simplicidade tende a torná-lo uma porta de entrada para a renda fixa pública.
Para quem busca reserva de emergência, o título se encaixa bem: oferece segurança, previsibilidade e acesso rápido ao dinheiro. Já para quem aceita mais risco em troca de retornos maiores, CDBs, LCIs, LCAs e outros produtos privados ainda podem ser alternativas mais agressivas.
O ponto central daqui para frente será a adesão de mais bancos e fintechs à plataforma. Se o Tesouro Reserva ganhar capilaridade e presença nos principais aplicativos financeiros, pode mudar o padrão de poupança do brasileiro — tirando recursos da caderneta e levando-os para a dívida pública.
Edição e Análise: Redação Diário Nexus