Irã pede união islâmica: Entenda o apelo de Khamenei contra EUA e Israel
Atualizado em 27/05/2026 às 09:15
Ilustração mostra peregrinos em Meca durante a Hajj, evento que inspirou o apelo de Khamenei por união islâmica (Fonte: Ilustração / Diário Nexus).
Em carta divulgada durante a peregrinação anual a Meca, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, convocou países islâmicos a se unirem para construir uma nova ordem regional sem a presença militar dos Estados Unidos e sem Israel.
Chamado por uma “nova ordem” no Oriente Médio
O líder supremo do Irã, Sayyid Mojtaba Khamenei, divulgou nesta terça-feira (26) uma carta direcionada aos milhões de muçulmanos que participam da Hajj, a peregrinação anual à Meca. No texto, ele convoca governos islâmicos a cooperarem com Teerã para estabelecer uma nova arquitetura de poder na região, livre da influência militar dos Estados Unidos e da existência de Israel.
Segundo Khamenei, a Ummah Islâmica — a comunidade global do Islã — possui “capacidades compartilhadas e interesses comuns” capazes de moldar o futuro político do Oriente Médio. Ele afirma que o Irã está disposto a liderar esse processo ao lado de outros países muçulmanos.
Críticas aos EUA e promessa de “fim” de Israel
Na mensagem, Khamenei declara que os Estados Unidos estariam “perdendo espaço” na região e que países do Oriente Médio não aceitariam mais bases militares norte-americanas em seus territórios. Ele também afirma que a guerra entre EUA, Israel e Irã teria demonstrado a “vitória” iraniana.
Sobre Israel, o líder iraniano repete a retórica histórica do regime, dizendo que o “tumor cancerígeno” estaria próximo de seu “último suspiro”. Ele cita ainda a profecia de seu pai, Ali Khamenei, que em 2015 afirmou que Israel não existiria dentro de 25 anos.
Visão iraniana para a Palestina
Enquanto grande parte da comunidade internacional defende a solução de dois Estados — um palestino e outro israelense — o Irã sustenta a proposta de um Estado único, com retorno da diáspora palestina e convivência entre árabes e judeus sob um mesmo governo. Israel rejeita essa possibilidade.
Eixo da Resistência e críticas ao Ocidente
Khamenei exaltou o chamado “Eixo da Resistência”, que reúne grupos e milícias alinhadas ao Irã em países como Líbano, Palestina, Síria, Iraque, Iêmen e Afeganistão. Segundo ele, essas forças seriam essenciais para enfrentar Israel, combater o ISIS e “proteger a Ummah Islâmica”.
O líder também criticou as sanções econômicas impostas pelos EUA desde a Revolução Islâmica de 1979, afirmando que o Irã resistiu a “47 anos de cerco econômico e ataques políticos”.
Quem é Mojtaba Khamenei
Mojtaba assumiu o posto de líder supremo após o assassinato de seu pai, Ali Khamenei, no início da guerra contra EUA e Israel. O cargo é vitalício e ocupa o topo da estrutura de poder da República Islâmica, acima do Executivo, do Parlamento e do Judiciário.
Ele foi escolhido pela Assembleia dos Especialistas, órgão formado por 88 clérigos eleitos por voto popular e responsável por nomear e, em casos extremos, destituir o líder supremo.
Leitura Nexus: o que está por trás do discurso
A carta de Mojtaba Khamenei reforça a estratégia iraniana de se posicionar como líder regional e porta-voz da resistência contra EUA e Israel. O discurso ocorre em um momento de tensão militar e busca consolidar apoio entre países muçulmanos durante a Hajj, quando a mensagem ganha alcance simbólico e religioso.
Para analistas, a retórica também serve para fortalecer a legitimidade interna do novo líder, que assumiu o cargo em meio a um cenário de conflito e instabilidade.
Edição e Análise: Redação Diário Nexus