Guerra e Inflação: Combustíveis sobem no Brasil, mas governo contém disparada em comparação com países vizinhos
Atualizado em 11/04/2026 às 09:20
"Análise aponta que, apesar da pressão internacional, os preços no Brasil seguem competitivos em relação aos vizinhos devido às intervenções governamentais. (Foto: Ilustração / Diário Nexus)"
De acordo com dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (10/4), o conflito no Oriente Médio segue pressionando os preços dos combustíveis globalmente, impactando diretamente os índices de inflação. No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março fechou em 0,88%, registrando uma aceleração de 0,18 ponto percentual em relação a fevereiro (0,70%). O instituto confirma que a alta dos combustíveis foi o principal fator determinante para o avanço do índice no mês.
Apesar da alta, o Diário Nexus destaca que medidas implementadas pelo Governo do Brasil, como cortes de impostos, subvenções e intensificação da fiscalização, conseguiram conter uma disparada ainda maior dos preços nas bombas. Dados do portal Global Petrol Prices, referentes ao final de março e início de abril, revelam que o preço médio da gasolina no Brasil (US$ 1,314 por litro) manteve-se **abaixo dos valores praticados na Argentina (US$ 1,520) e no Chile (US$ 1,649)**, países onde os governos optaram por não intervir nas cotações. O cenário se repete no diesel, com o Brasil apresentando valores inferiores aos de vizinhos como Chile, Argentina, México e Peru.
Impacto Setorial e Difusão Inflacionária
O grupo Transportes viu sua variação mais que dobrar, saltando de 0,74% em fevereiro para 1,64% em março, impulsionado diretamente pela alta de 4,47% nos combustíveis. A gasolina, individualmente, representou o maior impacto no IPCA do mês (0,23 p.p.), revertendo a queda de fevereiro e subindo 4,59% em março. O óleo diesel também registrou um salto significativo, saindo de uma variação de 0,23% para 13,90% no período.
Além dos transportes, o grupo Alimentação e bebidas também acelerou fortemente, passando de 0,26% para 1,56% em março. Itens básicos como tomate, cebola, batata-inglesa e leite longa vida pressionaram a alimentação no domicílio. Regionalmente, Salvador registrou a maior variação do IPCA (1,47%), influenciada justamente pela alta expressiva da gasolina na capital baiana (17,37%).
Análise Diário Nexus e Conclusão
O Diário Nexus avalia que os dados do IPCA de março evidenciam o desafio duplo enfrentado pela economia brasileira: o choque de oferta externo nos combustíveis e a pressão climática sobre os alimentos. A eficácia temporária das medidas governamentais em segurar os preços dos combustíveis abaixo dos vizinhos é notável, mas levanta questões sobre a sustentabilidade fiscal dessas intervenções a longo prazo caso o conflito no Oriente Médio se prolongue.
Concluímos que a inflação acumulada de 4,14% nos últimos 12 meses, embora dentro da meta, acende um alerta sobre a difusão dos aumentos de custos para outros setores da economia. O Diário Nexus continuará monitorando a evolução dos preços internacionais do petróleo e as próximas movimentações da política econômica do governo para mitigar os impactos inflacionários sobre o poder de compra das famílias.