Gelattos renasce: de quase falência na pandemia ao império do “atacadão de sorvete”
Publicado em 06/07/2026 às 20:22
Freezers cheios, caixas empilhadas e decoração da Copa representam o modelo de “atacadão de sorvete” que impulsionou a retomada da Gelattos após a pandemia. (Fonte: Ilustração / Diário Nexus).
A trajetória da Gelattos é um exemplo raro de reinvenção empresarial. Após quase quebrar durante a pandemia, a rede brasiliense transformou a crise em oportunidade ao apostar no formato de “atacadão de sorvete” — um modelo de alto volume e preços populares que redefiniu o consumo de sobremesas geladas no Centro-Oeste.
Da portinha ao império
Fundada há 28 anos em uma pequena loja de 39 metros quadrados no Cruzeiro Velho, em Brasília, a Gelattos cresceu até se tornar uma das maiores redes do setor. Hoje, soma 32 unidades e mais de 1.500 pontos de venda espalhados pelo Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. A meta para 2026 é ambiciosa: alcançar R$ 100 milhões em faturamento.
O fundador, Célio Reis, viveu o auge e o abismo. Em 2020, com o comércio fechado pela pandemia, o empresário precisou assumir o volante do caminhão de entregas para cortar custos e manter o negócio vivo. “Se deixasse, ia morrer muito rápido”, relembra. Foi nesse momento que nasceu o conceito que mudaria tudo: vender sorvete como se fosse atacado.
O modelo de autosserviço, com preços a partir de R$ 1, atraiu consumidores em busca de economia e variedade. A estratégia permitiu compensar margens estreitas com um giro de estoque massivo — hoje, a fábrica produz cerca de 1,3 milhão de picolés por mês, número que dobra no verão.
Inovação para driblar o inverno
O maior desafio do setor é a sazonalidade. O brasileiro consome apenas 7,7 litros de sorvete por ano e abandona o produto assim que o frio chega. Para enfrentar o inverno, a Gelattos aposta em campanhas temáticas e edições limitadas. Durante a Copa do Mundo, embalagens especiais e sabores inspirados nas seleções mantêm o interesse do público.
“Às vezes nem trocar o produto, mas trocar a embalagem já muda a visão do cliente”, explica Célio Reis. A empresa também lança linhas exclusivas para datas como Dia das Mães, Halloween e Natal, garantindo movimento constante nas gôndolas e blindando o faturamento contra o clima.
A estratégia de inovação contínua transformou o consumo em experiência. O cliente não compra apenas um picolé — compra uma história, uma edição especial, um momento. Essa conexão emocional é o que sustenta o crescimento mesmo fora da alta temporada.
Leitura Nexus: o poder da reinvenção e da escala
A virada da Gelattos mostra como o varejo brasileiro pode se reinventar quando une eficiência operacional e sensibilidade de mercado. O “atacadão de sorvete” é mais do que uma estratégia comercial — é uma resposta criativa à crise, capaz de transformar um produto sazonal em negócio perene.
A empresa entendeu que preço baixo não é sinônimo de fragilidade, mas de escala. Ao democratizar o acesso ao sorvete, criou um modelo que desafia o padrão de consumo e amplia o público. A lógica é simples: vender muito, ganhar pouco por unidade e girar rápido.
O caso Gelattos é um retrato do empreendedorismo brasileiro em sua forma mais resiliente — aquele que sobrevive à crise, se adapta e cresce. É a prova de que inovação não depende de tecnologia sofisticada, mas de visão e coragem para mudar o rumo quando tudo parece perdido.
O futuro congelado em expansão
Com uma nova fábrica de 3.800 metros quadrados inaugurada em 2024 e investimento de R$ 11 milhões, a Gelattos prepara o terreno para crescer ainda mais. A expansão para Goiânia e novas cidades satélites do Distrito Federal marca o início de uma fase nacional.
A meta de R$ 100 milhões em faturamento não é apenas um número — é o símbolo de uma empresa que saiu da beira da falência para se tornar referência em eficiência e criatividade. A Gelattos não apenas sobreviveu à pandemia: ela redefiniu o que significa vender sorvete no Brasil.
Edição e Análise: Redação Diário Nexus