Fim da "taxa das blusinhas": indústria reage com preocupação enquanto plataformas celebram medida

W. Martins
Redator

Publicado em 13/05/2026 às 09:16

Fim da "taxa das blusinhas": indústria reage com preocupação enquanto plataformas celebram medida

Pacotes de encomendas internacionais ao lado de um smartphone com aplicativos de compras como Shein, Shopee e AliExpress. (fonte: Ilustração / Diário Nexus).

A decisão do governo federal de zerar o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50 gerou forte reação da indústria e do varejo nacional, enquanto plataformas digitais comemoraram a medida por considerá-la benéfica ao poder de compra das classes C, D e E.

Indústria fala em perda de competitividade e risco a empregos

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a revogação da cobrança cria uma vantagem injusta para fabricantes estrangeiros, prejudicando a produção nacional. Segundo a entidade, micro e pequenas empresas serão as mais afetadas, com risco de perda de empregos e retração no setor produtivo.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) classificou a medida como “extremamente equivocada”, argumentando que ela amplia a desigualdade tributária entre empresas brasileiras e plataformas internacionais. A entidade destacou que companhias nacionais enfrentam carga tributária elevada, juros altos e custos regulatórios que não recaem sobre concorrentes estrangeiros.

A Abit também alertou para impactos na arrecadação pública. Entre janeiro e abril de 2026, o imposto arrecadou R$ 1,78 bilhão, alta de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Varejo nacional critica e fala em “retrocesso econômico”

A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) repudiou o fim da tributação, chamando a decisão de “grave retrocesso econômico” e “ataque direto à indústria e ao varejo nacional”. A entidade afirma que a medida penaliza empresas brasileiras — especialmente micro e pequenas — que sustentam empregos e arrecadação no país.

A Abvtex defendeu a criação de medidas compensatórias para evitar fechamento de empresas e perda de postos de trabalho.

Parlamentares apontam risco à competitividade

A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria também criticou a decisão. O presidente da frente, deputado Júlio Lopes (PP-RJ), afirmou que não há competitividade possível quando o empresário brasileiro paga impostos altos enquanto produtos importados entram sem tributação.

Segundo ele, a medida pode prejudicar empregos, a produção nacional e o comércio formal.

Plataformas comemoram e falam em aumento do poder de compra

Na direção oposta, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas como Amazon, Alibaba, Shein e 99, celebrou o fim da cobrança. A entidade afirmou que o imposto era “extremamente regressivo” e reduzia o poder de compra das classes C, D e E.

Para a Amobitec, a chamada “taxa das blusinhas” aprofundava desigualdades no acesso ao consumo e não fortaleceu a competitividade da indústria nacional, como prometido.

Como fica a tributação a partir de agora

A cobrança de 20% havia sido criada em 2024 dentro do programa Remessa Conforme, que regulamentou compras internacionais em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. Com a mudança, compras de até US$ 50 ficam isentas do imposto de importação, mantendo apenas o ICMS estadual.

Para compras acima de US$ 50, segue valendo a alíquota de 60%.

No ato de assinatura da medida provisória, o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que a isenção só foi possível após três anos de combate ao contrabando e maior regularização do setor.

Leitura Nexus: impacto econômico e disputa por mercado

O fim da “taxa das blusinhas” reacende o debate sobre isonomia tributária e competitividade. Enquanto a indústria teme perda de empregos e enfraquecimento da produção nacional, plataformas digitais defendem que a medida democratiza o acesso ao consumo e reduz desigualdades.

A disputa revela um choque entre dois modelos: o varejo tradicional, pressionado por custos elevados, e o comércio internacional digital, que opera com margens menores e escala global. A forma como o governo equilibrará esses interesses definirá o futuro do setor.

A discussão também coloca em pauta a necessidade de modernização tributária e de políticas industriais capazes de fortalecer empresas brasileiras em um mercado cada vez mais globalizado.

Edição e Análise: Redação Diário Nexus

Fonte da Informação: Agência Brasil

Encontrou um erro? Solicite uma correção.