EUA vão classificar PCC e Comando Vermelho: facções brasileiras serão tratadas como organizações terroristas

W. Martins
Redator

Atualizado em 29/05/2026 às 08:33

EUA vão classificar PCC e Comando Vermelho: facções brasileiras serão tratadas como organizações terroristas

Sala diplomática com bandeiras dos EUA e do Brasil ao fundo, em meio ao anúncio americano sobre a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas. (Fonte: Ilustração / Diário Nexus)

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou que o governo americano pretende designar as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como “Organizações Terroristas Estrangeiras” a partir de 5 de junho. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (28) por meio de publicação na rede social X.


Decisão e contexto político

Rubio descreveu as duas facções como “duas das mais violentas organizações criminosas no Brasil” e afirmou que possuem capacidade de atingir os EUA. Segundo o secretário, o governo Trump “continuará usando toda ferramenta disponível para proteger os interesses de nossa segurança nacional e impedir que lucro e recursos cheguem a narcoterroristas”.

A medida ocorre após reunião entre o pré-candidato à Presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o presidente americano Donald Trump. De acordo com o comunicador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, a classificação das facções como terroristas foi um dos temas tratados no encontro.

Reação do governo brasileiro

Durante o Fórum Internacional de Segurança em Moscou, o assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, criticou a iniciativa americana. Ele afirmou que “equiparar o crime organizado ao terrorismo não ajuda” e defendeu uma abordagem baseada na compreensão das motivações e na cooperação internacional.

Amorim alertou para os riscos do unilateralismo e destacou que o Brasil está “plenamente consciente da necessidade de assegurar sua soberania digital”, reforçando o compromisso com o combate ao crime organizado sem interferência externa.

Repercussões políticas

Flávio Bolsonaro comemorou a decisão em seu perfil no X, repostando a publicação de Rubio e escrevendo “Grande dia”, expressão popularizada por seu pai, Jair Bolsonaro, durante o governo. Os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro também compartilharam a nota em apoio ao senador.

A decisão americana deve gerar repercussões diplomáticas e jurídicas, já que a designação de grupos estrangeiros como terroristas implica sanções financeiras e restrições de cooperação internacional. Especialistas alertam que o tema pode abrir novo debate sobre soberania e segurança regional.

Leitura Nexus: o impacto da decisão dos EUA sobre o Brasil

A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras marca uma mudança significativa na política de segurança dos EUA em relação à América Latina. Embora o objetivo declarado seja conter o narcotráfico e o financiamento ilícito, a medida pode tensionar as relações diplomáticas com o Brasil.

O governo brasileiro, por meio de Celso Amorim, sinaliza resistência à interferência externa e defende uma abordagem multilateral. A decisão americana, contudo, reforça o alinhamento político entre Donald Trump e aliados da família Bolsonaro, com potencial impacto nas eleições brasileiras.

No cenário internacional, o episódio reacende o debate sobre o uso do termo “terrorismo” em contextos criminais e sobre os limites da soberania nacional diante de políticas de segurança global. O Brasil, agora, se vê no centro de uma disputa geopolítica que mistura diplomacia, segurança e ideologia.

Edição e Análise: Redação Diário Nexus

Fonte da Informação: Portal R7

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