Dólar inicia semana em queda: como a trégua entre EUA e Irã e a pressão do petróleo moldam o rumo dos mercados
Publicado em 29/06/2026 às 09:13
Ilustração representando a relação entre dólar, petróleo e tensões geopolíticas que influenciam os mercados financeiros. (Fonte: Ilustração / Diário Nexus).
Dólar recua enquanto mercados monitoram nova trégua entre EUA e Irã e impacto no petróleo
A abertura da semana trouxe alívio no câmbio e cautela nos mercados globais. O dólar iniciou a segunda-feira (29) em queda, refletindo a trégua temporária entre Estados Unidos e Irã, enquanto o petróleo volta a subir diante da instabilidade no Estreito de Ormuz. No Brasil, investidores acompanham dados de emprego e projeções econômicas que podem influenciar juros e atividade.
Dólar inicia a semana em movimento de queda
O câmbio abriu o dia em leve recuo, com o dólar cotado a R$ 5,1569 por volta das 9h. O movimento segue a tendência da última sexta-feira (26), quando a moeda americana já havia caído 0,20%. A queda ocorre em meio à expectativa de redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O Ibovespa, que inicia negociações às 10h, fechou a sexta-feira em alta de 0,76%, aos 173.295 pontos, impulsionado por setores ligados à exportação e ao consumo interno.
Trégua entre EUA e Irã reduz risco imediato, mas mantém pressão sobre o petróleo
Após uma troca de ataques na sexta-feira, Washington e Teerã concordaram no domingo (28) em suspender hostilidades e retomar negociações sobre o Estreito de Ormuz. A decisão trouxe algum alívio aos mercados, mas não eliminou a preocupação com novos incidentes.
Mesmo com a trégua, o petróleo voltou a subir. O Brent avançava 0,61% perto das 8h30, cotado a US$ 72,43, enquanto o WTI subia 0,88%, a US$ 69,84. A escalada recente mostra que o mercado ainda precifica risco de interrupção no fluxo energético global.
Agenda econômica da semana movimenta investidores
Além da tensão geopolítica, o foco dos mercados está nos dados de emprego. Nos Estados Unidos, o payroll será divulgado nos próximos dias e pode influenciar expectativas sobre juros. No Brasil, o Caged deve mostrar o ritmo de criação de vagas formais em maio.
Indicadores de trabalho são essenciais para medir a força da atividade econômica e antecipar decisões futuras do Banco Central, especialmente em um cenário de inflação ainda pressionada.
Boletim Focus mantém projeções para inflação, câmbio e Selic
A nova edição do Boletim Focus, divulgada nesta segunda-feira (29), manteve as estimativas para inflação, câmbio e taxa Selic. A previsão para o PIB, porém, subiu de 1,98% para 1,99%, indicando leve melhora na expectativa de crescimento.
O documento reúne projeções de economistas e instituições financeiras e serve como termômetro das expectativas do mercado para os próximos meses.
Leitura Nexus: o que o mercado está realmente precificando
A queda do dólar não reflete apenas a trégua entre EUA e Irã, mas também a leitura de que o conflito não deve evoluir para uma guerra aberta. O mercado vê espaço para negociações, mesmo que a tensão permaneça elevada.
O petróleo em alta mostra que investidores ainda temem interrupções no fluxo energético global. Qualquer incidente no Estreito de Ormuz pode alterar preços rapidamente, afetando inflação e custos logísticos no Brasil.
Para os próximos dias, o comportamento do câmbio dependerá mais dos dados de emprego e das expectativas sobre juros do que da geopolítica. Se o payroll vier forte, o dólar pode voltar a subir; se vier fraco, o alívio pode continuar.
O que observar nos próximos dias
A combinação entre trégua geopolítica, dados de emprego e projeções econômicas deve definir o humor dos mercados. O Brasil acompanha de perto o impacto do petróleo e do câmbio sobre inflação e atividade.
Com reuniões previstas em Doha e indicadores importantes na agenda, a semana promete volatilidade moderada, mas com espaço para movimentos positivos caso o cenário internacional se estabilize.
Edição e Análise: Redação Diário Nexus