Desinformação, medo e teorias falsas: como o PL da Misoginia virou alvo de ataques nas redes sociais

W. Martins
Redator

Atualizado em 11/05/2026 às 10:54

Desinformação, medo e teorias falsas: como o PL da Misoginia virou alvo de ataques nas redes sociais

Estudo do Observatório Lupa aponta crescimento da desinformação sobre o PL da Misoginia nas redes sociais. (fonte: Ilustração / Diário Nexus).

Um levantamento do Observatório Lupa revelou que o chamado Projeto de Lei da Misoginia se tornou alvo de uma ofensiva de desinformação nas redes sociais, impulsionada por políticos de direita. O estudo identificou mais de 289 mil publicações no X (antigo Twitter) entre 24 de março e 30 de abril de 2026, com teorias conspiratórias, distorções e conteúdos gerados por inteligência artificial para atacar o PL aprovado pelo Senado em março. O Diário Nexus analisa como o fenômeno expõe o uso estratégico da desinformação no debate público digital.


Os Fatos

O projeto em discussão no Congresso é o PL 896/2023, que define misoginia como “a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres”. Caso seja aprovado pela Câmara sem alterações, o texto incluirá a “condição de mulher” na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), prevendo pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para práticas enquadradas como misóginas.

Segundo o estudo, o principal pico de engajamento ocorreu em 25 de março, um dia após a aprovação da proposta no Senado, impulsionado por um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A publicação associava o PL da Misoginia a outro projeto, o PL 4224/2024, da senadora Ana Paula Lobato, que tratava da Política Nacional de Combate à Misoginia, mas não fazia parte do texto aprovado. O vídeo alcançou ao menos 751 mil visualizações em 24 horas antes de ser apagado e republicado sem o trecho incorreto.

Padrões de Desinformação

O relatório identificou narrativas falsas que afirmavam que o projeto restringiria a liberdade de expressão ou seria usado para “perseguir a direita”. Outra linha recorrente dizia que perguntar a uma mulher se ela estava com TPM poderia levar alguém à prisão.

De acordo com os pesquisadores, as publicações mais virais exploraram o medo como motor de engajamento. Também circularam conteúdos falsos alegando que o PL provocaria “demissões em massa” de mulheres ou criminalizaria trechos da Bíblia. Em alguns casos, vídeos gerados por inteligência artificial simulavam empresários demitindo funcionárias para evitar processos futuros.

Atores e Tendências

Entre os perfis mais influentes na disseminação dessas narrativas estão o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), o comentarista político Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. O relatório também aponta o crescimento de termos associados à cultura “redpill”, que retrata o projeto como uma ameaça aos homens.

Menções irônicas a aplicativos de transporte também foram observadas, sugerindo medo de acusações falsas em interações cotidianas. Para os pesquisadores, essas postagens ignoram o ponto central do projeto: a misoginia, no escopo da proposta, está relacionada a práticas discriminatórias que gerem “constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida” em razão do gênero.

Leitura Nexus: O Que Esperar Agora?

Para o Diário Nexus, o estudo da Lupa evidencia como a desinformação se tornou ferramenta política de mobilização emocional. O uso de medo e distorções para gerar engajamento reforça o desafio das plataformas em conter campanhas coordenadas.

A curto prazo, o debate sobre o PL da Misoginia deve continuar polarizado, com tentativas de associar o tema à censura. A médio prazo, o foco estará na tramitação na Câmara e na capacidade das redes de moderar conteúdos falsos. O ponto de observação será o impacto da legislação sobre o discurso público e a responsabilização de quem propaga desinformação.

Próximos Passos

O PL 896/2023 aguarda votação na Câmara dos Deputados. Caso aprovado sem mudanças, passará a integrar a Lei do Racismo, ampliando o escopo de proteção contra práticas discriminatórias. O estudo da Lupa segue monitorando novas ondas de desinformação sobre o tema.

Edição e Análise: Redação Diário Nexus

Fonte da Informação: Agência Brasil

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