Confisco de imóvel ligado ao cartel de Pablo Escobar: decisão sobre casa do ex goleiro da seleção da Colômbia, René Higuita, reacende debate sobre herança criminal
Atualizado em 09/07/2026 às 16:16
René Higuita em uma de suas defesas acrobáticas, gesto que marcou sua carreira e o transformou em ícone do futebol colombiano. (Fonte: Ilustração / Diário Nexus).
Ícone do futebol colombiano e conhecido mundialmente pela defesa do “escorpião”, René Higuita foi um dos goleiros mais carismáticos e ousados da história. Três décadas após encantar o mundo com suas acrobacias, o ex-jogador volta ao noticiário por um motivo bem diferente: a Justiça da Colômbia determinou o confisco de uma casa comprada por ele nos anos 1990, após concluir que o imóvel teve origem em dinheiro do cartel de Medellín.
Decisão judicial e origem suspeita do imóvel
O Ministério Público colombiano concluiu uma investigação de 12 anos que apontou que o imóvel adquirido por Higuita teria sido comprado originalmente com recursos ligados ao cartel de Pablo Escobar. Segundo as autoridades, o bem passou por diversas transferências para ocultar sua procedência até chegar ao nome do ex-goleiro em 1992.
A casa, localizada em um bairro nobre de Medellín, teria sido adquirida inicialmente por um intermediário dos irmãos William e Gerardo Moncada, figuras centrais do cartel e assassinados no mesmo ano por ordem de Escobar. A Justiça entendeu que o imóvel fazia parte de uma rede de bens usados para lavar dinheiro.
Higuita se defende e diz ser vítima
Em entrevista à Blu Radio, René Higuita afirmou que desconhecia completamente a origem do imóvel e que se considera vítima das circunstâncias. Ele disse ter comprado a casa com recursos próprios e destacou que, nos anos 1990, não havia tecnologia para verificar a procedência de propriedades com facilidade.
O ex-goleiro, que hoje atua como treinador de goleiros, reforçou que jamais teve relação com o cartel e que a coincidência temporal acabou gerando suspeitas injustas. Enquanto o recurso é analisado, Higuita permanece na residência.
O peso histórico do caso
A decisão reacende o debate sobre como o narcotráfico moldou estruturas sociais e esportivas na Colômbia. Durante os anos 1980 e 1990, o cartel de Medellín influenciou clubes, contratos e até carreiras de jogadores, criando uma teia de conexões que o país tenta desfazer até hoje.
O caso Higuita simboliza o esforço das autoridades em revisar bens e patrimônios que circularam durante o auge da violência, buscando corrigir distorções históricas e impedir que o legado financeiro do cartel continue ativo.
Leitura Nexus: o passado que ainda assombra o futebol colombiano
René Higuita foi um dos rostos mais emblemáticos de uma era em que o futebol colombiano convivia com o poder do narcotráfico. A decisão judicial mostra que, mesmo décadas depois, o país ainda revisita feridas abertas por um sistema que misturava paixão esportiva e dinheiro ilícito.
Para o leitor, o caso revela como o esporte pode carregar marcas de contextos sociais extremos. A revisão de bens ligados ao cartel é parte de um processo de reconstrução institucional que tenta separar o presente das sombras do passado.
Nos próximos anos, o desafio será equilibrar justiça e memória. Se novas propriedades forem rastreadas, o país pode enfrentar uma onda de revisões que atingirá não apenas ex-atletas, mas famílias e herdeiros que adquiriram imóveis sem saber sua origem.
O que esperar daqui pra frente
O recurso de Higuita pode definir se o imóvel será definitivamente confiscado ou se o ex-goleiro conseguirá comprovar boa-fé na compra. A decisão também pode abrir precedentes para outros casos semelhantes, ampliando o alcance das revisões patrimoniais.
Para a Colômbia, o processo representa mais um passo na tentativa de reconstruir a confiança institucional e enfrentar os resquícios do cartel que ainda permeiam o país. O desfecho será acompanhado de perto por quem viveu — e ainda sente — os impactos daquele período.
Edição e Análise: Redação Diário Nexus