Alerta no Bolso: Cesta básica sobe em todas as capitais em março
08/04/2026
Atualizado às 16:14
"Gôndola de feijão com preço em alta em supermercado de São Paulo (Imagem gerada por IA / Diário Nexus)"
O consumidor brasileiro enfrentou uma alta generalizada nos preços dos alimentos essenciais durante o mês de março. De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Dieese em parceria com a Conab, todas as capitais do país e o Distrito Federal registraram aumento no custo dos mantimentos. A variação reflete uma pressão inflacionária que não deu trégua em nenhuma região do território nacional.
Manaus foi o grande destaque negativo do mês, liderando o ranking de aumentos com um índice expressivo de 7,42%. Logo atrás, cidades como Salvador (7,15%), Recife (6,97%) e Maceió (6,76%) também apresentaram altas severas, mostrando que a carestia atingiu com força especial as regiões Norte e Nordeste, onde a logística de abastecimento costuma ser mais sensível às oscilações de preço.
O vilão do prato feito: Por que o feijão disparou?
O grande responsável pelo encarecimento da refeição básica do brasileiro em março foi o feijão. O grão carioca, consumido na maior parte do país, deu um salto impressionante de 21,48% em cidades como Belém. Já o feijão preto subiu em todas as capitais do Sul, além do Rio de Janeiro e Vitória, com variações de até 7,17% em Florianópolis.
De acordo com o Dieese, essa disparada não é apenas uma questão de mercado, mas sim o resultado de dificuldades severas na colheita devido a questões climáticas. A restrição da oferta no campo forçou o repasse imediato para o consumidor final nas gôndolas dos supermercados.
Além do feijão, outros itens indispensáveis também registraram altas expressivas, como o tomate, a carne bovina de primeira e o leite integral. Esses produtos, somados, criam um efeito cascata que encarece desde o café da manhã até o jantar, reduzindo drasticamente o poder de compra das famílias de baixa renda.
De São Paulo a Aracaju: As disparidades regionais
Viver na capital paulista continua sendo um desafio financeiro sem precedentes. Em março, São Paulo consolidou-se mais uma vez como a cidade com a cesta básica mais cara do país, atingindo o custo médio de R$ 883,94. O Rio de Janeiro aparece logo na sequência, com a cesta custando R$ 867,97, seguido por Cuiabá e Florianópolis.
No extremo oposto, os menores valores nominais foram registrados em capitais como Aracaju (R$ 598,45) e Porto Velho (R$ 623,42). Entretanto, os especialistas alertam que o valor menor em Reais não significa facilidade: Aracaju, apesar de ser a mais barata em números absolutos, foi a cidade com a maior alta acumulada do ano, chegando a quase 11% de aumento em apenas três meses.
O abismo salarial e o mínimo ideal
O dado mais contundente do levantamento do Dieese revela a distância entre a realidade e a Constituição Federal. Para suprir necessidades básicas como moradia, saúde e educação, o salário-mínimo ideal para uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99. Este valor é 4,58 vezes superior ao mínimo atual de R$ 1.621,00.
Com a cesta básica de São Paulo comprometendo mais da metade do salário-mínimo bruto, o relatório serve como um alerta urgente sobre a segurança alimentar no país e a necessidade de políticas que recuperem o poder de compra do trabalhador brasileiro.